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Fundador do Circo Picolino, Anselmo Serrat morre aos 71 anos: ‘Guerreiro’

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Ele era um dos principais ativistas e mentores da arte e da cultura em Salvador e lutava contra um câncer há mais de um ano

A Bahia perdeu, nesta terça-feira (17), por volta das 16h20, um dos grandes nomes da produção cultural e artística do Brasil. O carioca e baiano de coração Anselmo Serrat, fundador e diretor do Circo Picolino, morreu, aos 71 anos, no Hospital São Rafael, em Salvador.

Ele lutava contra um câncer desde 2018 e, no último mês, teve complicações por conta da doença. O corpo de Anselmo será cremado na capital baiana, mas antes será velado no circo Picolino, em Pituaçi. Ainda não há informações sobre o horário e local. O artista deixa os filhos Iuri, Apoena, Luana e Jana – as duas últimas também artistas circenses – e quatro netos.

No início desta noite, a ex-esposa dele, Verônica Tamaoki, mãe de Luana Serrat, artista circense e filha de Anselmo, publicou um comunicado nas redes sociais.”É com imensa tristeza que comunico o falecimento de Anselmo Serrat, diretor do Circo Picolino, de Salvador, parceiro de toda uma vida, pai da minha filha. Parte como viveu, cheio de sonhos e de planos. Para você, Anselmo, toda minha admiração e todo meu amor e respeito, ‘Te amarei eternamente e ainda depois’.”, escreveu para amigos e familiares do artista.

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Logo ao saber da morte, o presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, lamentou a perda e lembrou que Anselmo foi um guerreiro incansável. “Um guerreiro incansável! Lutador apaixonado das artes, Anselmo Serrat nos deixa um exemplo de vida. Sempre o encontrava sorridente, se movimentando, agindo, construindo,  propondo projetos e soluções. Assim deve ser lembrado e homenageado, com o mesmo movimento e entusiasmo para manter sua casa, o Circo Picolino, vivo e cada vez mais pulsante.”, afirmou.

Em nome da Secretaria Municipal de Educação, Roque Cavalcante Santos divulgou uma nota na qual externa votos de condolências aos familiares e amigos do artista: “Parceiro da Secretaria, amigo, palhaço, humorista e conselheiro dos pequenos e indefesos. Anselmo, que Deus lhe receba de braços abertos e que lhe conceda o Reino da Glória. Descasce em paz”.

Nas redes sociais, artistas, parentes e amigos publicam mensagens no perfil de Serrat. Quase todos definem Anselmo como um mestre. “Meu amigo, meu professor, meu mestre, palhaço assinado em carteira. Me ensinou tanto quando eu me achava demais, vi em sua luta que eu era tão pequeno ainda. Tenho certeza que você está em uma lona maravilhosa nesse momento: a lona mais animada e criativa do cosmos. Foi um dos melhores exemplos de vida que tive o prazer de conviver… Muita luz para Familia Picolino de todo mundo”, escreveu Rogerio Pereira Brito.

O músico Serafim Martinez pontuou que Anselmo foi uma grande referência no campo das artes. “Perdemos hoje um dos principais ativistas e mentores da arte e da cultura em nossa cidade. O grande Anselmo Guarani Kaiowá Serrat, criador e mentor do Circo Picolino. Momento de muita tristeza e comoção. Vai em paz grande guerreiro, inspiração e referência de toda uma vida dedicada a arte”, escreveu.

A dançarina Kelly Richardson, que foi aluna de Anselmo por muitos anos, agradeceu ao mestre pela oportunidade de sonhar. “O mundo virou mais inclusivo, mais colorido, mais lindo, por causa de você. A época em que eu estava com Picolino foi um sonho, cheia de alegria, e fez grande diferença na minha vida e na minha carreira até hoje. Estou agradecida eternamente pelas oportunidades e pela inclusão. Meus grandes sentimentos”, escreveu.

O músico Jonga Lima também prestou sua homenagem ao artista. Confira postagem.

Amiga de Anselmo, Ana Carolina·disse que ele foi uma grande inspiração para ela e para muitas pessoas. “Seu jeito único de ajudar os outros a crescer, sua forma muito especial de transmitir valores (…). A minha gratidão não tem limites. Eu levarei comigo para sempre cada palavra debitada pela sua boca. Seu amor pelo Circo era capaz de mover o mundo! (…).Você foi muito mais do que um amigo! Meu conselheiro sábio, um lutador em tempos de batalha, um ombro fiel nos momentos de tristeza, o alívio da minha angústia. Fico muito triste por saber que não posso mais contar com a sua presença na minha vida. Mas ao mesmo tempo sou muito grata a Deus por ter conhecido você, porque sem a sua influência eu seria uma pessoa menos realizada.
Obrigado por ter me presenteado com a sua companhia e ensinamentos!”, escreveu.

História
Anselmo Serrat nasceu no Rio de Janeiro, em 12 de agosto de 1948, e desde pequeno gostava das artes. Trabalhou no fim da década de 1960 como fotógrafo, chegou ao cinema como diretor de fotografia, teve a sua própria produtora, a Focus, e foi sócio da Lente Filmes.

Trabalhou no cinema nos filmes: O Rei da Vela, Ladrões de Cinema e Na Boca do Mundo. No início dos anos 1980, em São Paulo, encontrou no circo uma linguagem com a qual se identificou de forma plena. Frequentou a Academia Piolin de Circo e integrou o Grupo de Circoteatro Tapete Mágico que o trouxe para várias apresentações em Salvador. Assim, foi criando o desejo de dar continuidade ao trabalho, inclusive entre o público infantil.

Em 1985, Serrat criou a Escola Picolino de Artes do Circo em parceria com Verônica Tamaoki. O Picolino tem uma história de resistência desde sua criação. Ele surgiu dentro de outro circo, o extinto Troca de Segredos, e seguiu para um depósito na Biblioteca Central. Depois passou por um Bar Vagão e ocupou por sete anos o espaço onde jaz o Aeroclube.

Após muita luta para manter-se de pé, o Picolino fincou picadeiro em Pituaçu, onde está há mais de 20 anos. Agora, não há perigo de ser despejado, já que ganhou o direto de uso da terra, por usucapião. Atualmente, já existe uma geração de professores formados por ex-alunos do Picolino.

Um dos frutos dessa história é a filha dos dois, Luana Serrat, professora de tecido acrobático. Nome à frente da Cia. Luana Serrat e membro do Fulanas Cia. de Circo, Luana ganhou o Circo do Faustão, em 2008. Este ano, seu trabalho foi reconhecido pelo Prêmio Fundação Bunge, de São Paulo, na categoria juventude.

Em 2007, o Picolino recebeu da Presidência da República a Ordem do Mérito Cultural em reconhecimento ao conjunto do seu trabalho. Criada como uma escola de circo particular, a Escola Picolino também desenvolve até hoje trabalhos sociais voltados para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Única escola de circo de Salvador, o Picolino também formou grandes artistas. Por lá passaram nomes como João Miguel, Pitty e Jailton Carneiro – que ganhou destaque no Cirque du Soleil. As duas filhas de Anselmo, Luana e Jana Serrat, trabalham até hoje com circo pelo Brasil afora.

Guerreiro
Anselmo ficou conhecido como ‘guerreiro’ porque lutava há anos contra o sucateamento do circo, que fica na orla de Pituaçu. Por isso, acabou também tornando-se símbolo da resistência da arte e da cultura em Salvador. “A maior dificuldade é a manutenção financeira, econômica. Como somos uma instituição privada, não recebemos recurso oficial nenhum, nem municipal, nem estadual, nem federal. Alguns projetos pontuais às vezes a gente consegue, como terminamos uma temporada com o projeto Guerreiro, que é um espetáculo da companhia que era patrocinado pela Petrobras. Então, a maior dificuldade é financeira e quando se tem a dificuldade financeira, se tem dificuldades de recursos humanos, de não ter como pagar, deveríamos estar com uma equipe de professores, mas nossa equipe é muito enxuta por conta do recurso ser quase nulo”, disse, em uma entrevista, em 2013.

Pelo conjunto da sua obra, Anselmo Serrat recebeu o título de Cidadão Baiano da Assembleia Legislativa da Bahia e a medalha de Ordem do Mérito Cultural, do Ministério da Cultura.

O Picolino é, desde sempre, castigado pela maresia de Pituaçu (Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO)

Grande parte desse sucateamento ele atribuia ao fato do circo ainda ser visto como arte menor. “Pais e mães da classe média morrem de medo que seus filhos sigam o mundo do circo. Se ele for pintor ou cantor é maravilhoso, até jogador de futebol (nada contra), mas quando pensam em circo ficam apavorados”, afirmou, na época.

‘A sociedade precisa se apropriar disso. O Picolino não é um bem individual. É o símbolo da resistência da arte e cultura em Salvador’, disse Anselmo Serrat, ao CORREIO, em 2014
(Foto: Marina Silva/Arquivo CORREIO)
Foto de 2005 mostra o colorido circo, antes de sofrer como a maresia e o mau tempo
(Foto: Divulgação)

Fonte: Correio 24 Horas

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