Questões Raciais

Intolerância bate à porta de terreiro, impedindo manifestação religiosa

Após denúncia de morador, por conta do som dos atabaques, em evento no Terreiro Ile Axé Obatalende, no último dia 30/11, prepostos da Sesp chegaram e ordenaram que encerrassem a celebração

Recebemos o relato do Babalorixá Anderson Argolo, que publicamos na íntegra, aguardando pronunciamento por parte dos dirigentes da referida secretaria.

Nesta manhã, representantes do movimento social, lideranças religiosas e secretários municipais, reuniram-se no Ile Axé Obatalende, casa de Pai Anderson de Oxalá, para tratar da ação de funcionários do órgão fiscalizador da prefeitura, que teriam agido de forma intolerante, durante festa no terreiro.

Segue relato:

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Neste final de semana, ao celebrar dia 30/11, a Festa do nosso Caboclo Sultão das Matas, sofremos uma ação de perseguição, intolerância e preconceito, movida por um morador do Loteamento Recreio de Ipitanga, que acionou a SESP de Lauro de Freitas, que encaminhou um grupo de fiscais que nos notificou.

Os mesmo agentes retornaram hoje, domingo, de forma desrespeitosa, informando que, caso eu tocasse novamente, voltaria com a polícia, para embargar, ou seja, parar a nossa cerimônia. Alertei-o sobre os nossos direitos, os repreendendo, pois criaram um desconforto a todos que estavam presente.

O nosso Estado é Laico e a constituição nos garante o direito de culto e liberdade religiosa, irei buscar todos os órgãos competentes e autoridades, para barrar esta ação de perseguição religiosa e desrespeito para com meu povo, pois racismo, preconceito e perseguição é crime.

Quando os grupos neopentecostais, reúnem-se na Praça de Lauro de Freitas, usando trios, alto-falantes, realizando eventos e comemorações públicas, cujo som alcança todos os bairros de Lauro, não há denúncias; quando há fogos comemorativos, em celebrações e dias de jogos de futebol, não há denúncias; quando as igrejas de culto de base, dos brancos, usam microfones não há denúncias; mas quando tocamos os nossos atabaques, para reverenciar a nossa ancestralidade; quando nos reunimos para louvar nosso sagrado e manter viva nossa tradição e costumes, sempre temos que passar pela humilhação de sermos tratados pelos órgãos públicos, que recebem tais denúncias e vêm a nosso terreiro, nos tratar como infratores, pois nos ameaça do uso da força policial, para nos calar.

Até quando teremos que lutar para que possamos ter os mesmos direitos garantidos aos demais grupos?

Estamos em pleno século XXI, não há mais necessidade de lutarmos pela liberdade de culto, pois já é direito garantido por lei, está em nossa constituição, Vivemos em uma democracia, não irei aceitar ser vítima de nenhum racista, intolerante.

Buscarei o apoio de todos os órgãos e amigos, pois irei lutar, encaminharei ao ministério público e órgãos competentes, para que identifiquem quem fez a denúncia e possa apurar legalmente.

Abaixo ao Racismo e perseguição religiosa, devemos dar respostas eficazes no combate as ações desrespeitosas contra o povo negro neste país.

Oba Kaô

Não vamos deixar que nos calem, que silencie os nossos atabaques, que sao símbolo de resistência.

Termino o novembro, mês de reverência da consciência negra, mês de luta contra o racismo, vítima de perseguição, me sinto indiguinado.

Até quando irão nos ferir na carne, com o preconceito e perseguição???

Que Xangô, Orixá da justiça, esteja à nossa frente!

Babalorixá Anderson Argolo de Oxala
Ilê Ase Ala Obatalandê
Instituição de Preservação da Cultura Afro Brasileira e Desenvolvimento Social


A redação do Lauro Jornal deixa aberto o seu espaço, aguardando resposta da secretária da pasta, com a sua versão, sobre os fatos relatados.

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